Desde a revolução cognitiva, há aproximadamente 70 mil anos, com o surgimento de novas formas de pensar e se comunicar, a linguagem humana se tornou incrivelmente versátil, capaz de transmitir uma quantidade extraordinária de informações sobre o mundo a nossa volta. Mais que isso, ela permite criar e transmitir informações sobre coisas que não existem. Apenas o homo sapiens pode falar sobre coisas que nunca viu, tocou ou cheirou, apenas ele é capaz de criar realidades e compartilhá-las.
A capacidade de comunicação oral, com a criação de ?realidades imaginadas? e mitos compartilhados, possibilitou que os seres humanos desenvolvessem tipos de cooperação mais sólidos e sofisticados, o que foi fundamental para a formação de grupos humanos numerosos. A sociedade oral permitiu a invenção de barcos, lâmpadas a óleo, agulhas, arcos e flechas, artefatos essenciais para o desenvolvimento da civilização. Apesar de seu incrível potencial, a comunicação oral exige a presença dos interlocutores e é indissociável do momento de sua produção.
Na sociedade da escrita, os discursos libertaram-se da situação em que são produzidos. Na comunicação escrita, eles têm existência autônoma, a comunicação existe sem a presença do escritor e a situação de comunicação pode repetir-se indefinidamente. A sociedade da imprensa ampliou essas vantagens. Os discursos podem ser reproduzidos indefinidamente, possibilitando que as ideias sejam transmitidas para um maior número de pessoas. Isso foi um fator essencial para a intensificação dos debates e da produção do conhecimento. Não por acaso, a invenção da imprensa foi imediatamente anterior à Revolução Científica.
A informática possibilitou o surgimento da sociedade da informação, em um mundo globalizado. A comunicação digital tem características bastante distintas da comunicação oral e da comunicação escrita, como a facilidade de atualização do discurso e a liberação dos limites de uma cultura. Ao contrário da estabilidade da linguagem representada estaticamente nos livros, a linguagem eletrônica é instável, modifica-se e evolui de forma semelhante à linguagem oral.
A sociedade da informação e o mundo globalizado trazem a tona a necessidade de repensar a educação, aliando os fundamentos didático-pedagógicos tradicionais que têm se mostrado eficazes com inovações tecnológicas e novas formas de organização do currículo e da própria escola. Só assim ela se tornará uma aliada da nova ?revolução cognitiva?, possibilitando o surgimento do Homo studiosus, ou homem universal, definido por Adam Schaff como ?aquele que está munido de uma instrução completa e em condições de mudar de profissão e, portanto, também de posição no interior da organização social do trabalho? (APUD Máttar Neto, 2002: p.101).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MÁTTAR NETO, J. A. Metodologia científica na era da informática. São Paulo: Saraiva, 2002.