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A aprendizagem tem uma grande importância para a espécie humana, pois entre todos ao animais ela é a que possui o menor número de reações inatas. Seu repertório de ações é quase todo constituído de respostas adquiridas, aprendidas. A aprendizagem é tão importante para a sobrevivência do homem que foram organizados meios educacionais e escolas para a tornarem mais eficiente.

O resultado da educação, entretanto, nem sempre é satisfatório. Muitos alunos tem um rendimento escolar aquém do esperado. Dessa forma, é necessário entender as causas do insucesso escolar desses alunos, como parte do processo de busca de soluções para esse fracasso generalizado. A psicologia, ao estudar os processos cognitivos e afetivos envolvidos na aprendizagem, tem dado uma grande contribuição para esse entendimento. 


Entre inúmeros tópicos relevantes ao desempenho acadêmico, a motivação aparece com destaque. Segundo Bzuneck (1) ?os efeitos imediatos da motivação do aluno consistem em ele envolver-se ativamente nas tarefas pertinentes ao processo de aprendizagem? e ?tal envolvimento consiste na aplicação de esforço no processo de aprender e com a persistência exigida por cada tarefa? (p. 11). Entretanto, não basta conhecer a importância da motivação, é preciso entender os mecanismos psicológicos nela envolvidos. Isso possibilitaria aos professores o uso adequado de atividades e incentivos que levassem a uma maior motivação dos alunos.


A motivação para uma atividade pode ser intrínseca ou extrínseca. De acordo com Guimarães (2) ?a motivação instrínseca refere-se à escolha e realização de determinada atividade por sua própria causa, por esta ser interessante, atraente ou, de alguma forma, geradora de satisfação? (p. 37). Assim, o envolvimento ?em uma atividade por razões intrínsecas gera maior satisfação e há indicadores de que esta facilita a aprendizagem e o desempenho? (p. 38). Já a motivação extrínseca, segundo a mesma autora, ?tem sido definida como a motivação para trabalhar em resposta a algo externo à tarefa ou atividade? (p.46). O sistema escolar tem utilizado de forma consistente fatores motivacionais extrínsecos, como elogios, notas e prêmios. 


O conhecimento de estratégias para motivar intrinsecamente os alunos é fundamental para melhorar o desempenho dos mesmos. Entretanto, o uso adequado da motivação extrínseca também pode levar a um maior envolvimento dos alunos em sua própria aprendizagem. É importante, porém, que os professores saibam diferenciar as estratégias que levem os alunos a uma maior motivação para aprender das que os levem a executar as tarefas apenas para obter as recompensas prometidas. Assim, por exemplo, os tradicionais ?pontos por participação? são inadequados, por levarem os alunos a realizar as tarefas apenas para conseguir tal pontuação, independente da qualidade do trabalho. O ideal é associar esses pontos à qualidade do trabalho, mostrando aos alunos que o mais importante é a tarefa, não a recompensa.


É claro que os conhecimentos adquiridos pela psicologia sobre a motivação são muito mais ricos e complexos que esse pequeno exemplo e, além da motivação, existem muitos outros fatores psicológicos importantes para a educação. Assim, é fundamental levar aos professores esses conhecimentos, possibilitando a eles exercerem cada vez melhor seu papel. Para isso, além da contínua melhoria dos cursos de formação de novos professores, é preciso organizar um sistema de formação contínua desses profissionais. Usando uma comparação com a área médica, ninguém confiaria num médico que se formasse e nunca mais estudasse, deixando de utilizar em sua profissão os novos conhecimentos e técnicas. Os professores, como responsáveis pela tão importante tarefa da educação, não podem deixar de lado os avanços da ciência, confiando apenas em sua experiência. Praticamente todas as atividades humanas tem evoluído muito com as descobertas científicas. Não podemos permitir que a educação seja a exceção a essa regra.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


(1) Bzuneck, J. A. (2001). A motivação do aluno: aspectos introdutórios. Em: E. Boruchovitch, & J. A. Bzuneck (Orgs.). A motivação do aluno: contribuições da psicologia contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes. 


(2) Guimarães, S. E. R. (2001). Motivação intrínseca, extrínseca e o uso de recompensas em sala de aula. Em: E. Boruchovitch, & J. A. Bzuneck (Orgs.). A motivação do aluno: contribuições da psicologia contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes.