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O problema mais urgente da educação em Valinhos (e em quase todo o Brasil) é o grande número de alunos a partir do 3º ano do Ensino Fundamental que são semianalfabetos ou analfabetos funcionais (conseguem ler e escrever palavras isoladas e frases simples, mas não conseguem compreender um texto básico). São alunos em que o processo de alfabetização ocorreu durante a paralisação das aulas devido à pandemia.


A leitura é o alicerce para quase todas as aprendizagens realizadas na escola. É impossível aprender os conteúdos escolares sem uma boa alfabetização. Mesmo os alunos que conseguiram se alfabetizar ficaram com lacunas em todas as disciplinas. Assim, o reforço nos outros conteúdos é importante, mas, para ser eficaz, é fundamental que todos os alunos estejam bem alfabetizados. Dar reforço em conteúdos das diversas disciplinas para alunos que não estão plenamente alfabetizados é ineficaz e contraproducente. Além dos alunos não conseguirem aprender os conteúdos das aulas de reforço, eles tendem a acreditar que suas dificuldades de aprendizagem são um problema pessoal, pois não tem como entender que o verdadeiro problema é a falta da ferramenta básica para a aprendizagem, a leitura fluente. Aliás, muitos deles acreditam que suas dificuldades na leitura se devem a sua incapacidade, sem se dar conta que não foram adequadamente alfabetizados.


A situação é crítica, é preciso elaborar e implementar um projeto de alfabetização (ou realfabetização) para todos os alunos que não estão plenamente alfabetizados, a partir do 3° ano do Ensino Fundamental. Para ser eficaz, esse projeto deve, necessariamente, ser baseado nas evidências científicas sobre a alfabetização, que são abundantes e consistentes.


Desde meados dos anos 1990, pesquisas da psicologia cognitiva mostram quais são os métodos de ensino mais eficazes para o ensino da leitura e da escrita em línguas alfabéticas, em que as letras representam os sons da fala. O grande avanço da neurociência a partir do início deste século, principalmente com a criação das técnicas de neuroimagem, possibilitou a visão do funcionamento cerebral durante a realização das mais diferentes atividades. Isso permitiu identificar com precisão as áreas e circuitos cerebrais responsáveis pela linguagem. Em relação à alfabetização, alicerce sobre o qual se assentam as demais aprendizagens escolares, as neurociências mostraram o funcionamento do cérebro durante a leitura e quais processos de ensino são mais eficazes para formar leitores fluentes.


Dessas forma, é urgente a necessidade de solucionar esse que é o maior problema da educação em Valinhos, a alfabetização precária de muitos alunos que já deveriam estar plenamente alfabetizados. É claro que há outros problemas e necessidades da educação em nossa cidade que precisam ser resolvidos, mas sem solucionar o problema da alfabetização, nenhuma medida, por melhor que seja, vai ajudar a melhorar a qualidade da educação em Valinhos.